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Freqüentemente quando um paciente procura um especialista de tornozelo e pé, as queixas estão associadas às deformidades, as desordens no suporte de carga corporal durante a marcha ou ortostase e a dor.

Quando há deformidades adquiridas ou congênitas, são agravadas pela fadiga, idade, traumas, pressão inadequada dos calçados ou tentativas frustradas de tratamento.

Como e outras afecções ortopédicas, a busca de um diagnóstico preciso, deve ser mais precisa possível e criteriosa. Uma boa história, principalmente correlacionando com o aparecimento de sintomas, como uso de calçado e atividades ocupacionais e recreacionais, são importantes para detecção da queixa principal e conseqüentemente de um diagnóstico.

Na inspeção, comumente há uma dificuldade na interpretação do local da queixa, pois a correta terminologia descreve a anatomia dos achados, que dependerão destas informações para um prognóstico satisfatório através de um tratamento adequado. Estas denominações dão origem aos termos utilizados para identificar o posicionamento de estruturas, bem como as direções de movimentação nos planos anatômicos. O plano sagital é aquele que divide o pé em duas metades: uma medial e outra lateral. O plano frontal divide o pé em duas porções anterior e posterior, e o plano transverso divide o pé em porções superior e inferior.

No plano sagital ocorrem os movimentos que conhecemos como dorsiflexão, corretamente nominada por flexão do tornozelo e flexão plantar, corretamente descrita como extensão do tornozelo. Já a inversão e eversão ocorrem no plano frontal, e a adução e abdução ocorrem no plano transverso.

Os termos supinação e pronação do pé referem-se aos movimentos que envolvem os três planos, ou seja, a supinação consiste na combinação de adução, inversão e flexão, enquanto a pronação é a combinação entre a abdução, eversão e extensão do pé.

No exame físico deve ser abordado buscando alterações em todos os segmentos corporais, especialmente a coluna vertebral, onde sinais como escoliose, alterações musculares etc. podem esclarecer possíveis quadros sistêmicos.

O exame deve ser dividido em duas vertentes, com o pé sem carga, pois com o membro relaxado, o pé normal assume um discreto eqüinismo e ligeira inversão, onde sempre devemos comparar com o membro contralateral. Já com o pé com carga, deve-se analisar na posição estática, onde fornece dados acerca de angulação da coxa com relação à perna (valgismo ou varismo do joelho), defeitos torcionais dos quadris (exagero ou redução do ângulo de anteroversão dos colos femorais), arqueamento das pernas, como tíbias varas, posição relativa dos maléolos medial e lateral, graus de valgismo e varismo do retropé, e as relações do retropé, com o médio e o antepé.

No exame com pé com carga de forma dinâmica, devemos analisar a marcha do paciente, observando o modo com que o calcâneo toca o solo, as reações do médio e antepé quando o passo se desenvolve e a relação dos dedos com o solo durante os últimos estágios do passo. Para maiores informações sobre a marcha, procure em nosso site acerca da análise da marcha.

Todos os dados coletados durante a avaliação do pé e tornozelo devem ser comparados aos valores populacionais normais e, via de regra, indica-se o tratamento adequado sempre que estes valores estejam fora da faixa de desvio-padrão da normalidade da população, tanto para mais quanto para menos.