
A Medicina Esportiva ou Desportiva é uma
especialidade médica que aproxima o médico do indivíduo
que pratica a atividade física, esporte amador, recreacional
ou competitivo/profissional.
A atuação do médico do esporte
é muito ampla e abrange desde o trauma esportivo feita pelo
ortopedista especializado até a avaliação
médica “clínica” com enfoque na fisiologia
do exercício, avaliação pré-participação
esportiva e combate aos principais fatores de risco (hipertensão
arterial, dislipidemia, sobrepeso/obesidade, sedentarismo, etc).
Hoje vivemos a era dos avanços tecnológicos
em várias áreas e setores, pelas mais distintas modalidades
esportivas e pela ciência do esporte. Calçados desenvolvidos
para uma determinada pisada e tipo do esporte, acessórios
de proteção mais leves, pisos esportivos com componentes
de absorção de impacto, tecidos de alta tecnologia
que otimizam a perda ou a conservação de calor, enfim,
progressos na busca de alta performance.
Mas e a ciência do esporte? Treinamento Físico,
fisiologia do exercício, biomecânica do gesto esportivo,
nutrição, psicologia etc. Na busca de uma maior interação
do médico do esporte, do técnico e do atleta, há
a necessidade de subsídios que possam monitorar tempo real
de treinamento, freqüência cardíaca, gasto calórico
entre outras variáveis fisiológicas.
A expressão do momento, e que diferencia
alguns atletas de outros, é ECONOMIA. Um atleta econômico
é aquele que consegue equilibrar suas variáveis fisiológicas
em prol do melhor resultado.
A avaliação física pode ser
definida como “ O estudo do corpo humano, de forma estática
ou dinâmica, em relação à estrutura,
funções gerais e todas as suas relações
internas e externas, com o objetivo de análise de desempenho,
em especial de aspectos de aptidão física, segmento
do crescimento/desenvolvimento e análise da fatores intervenientes,
inclusive aspectos nutricionais e socioculturais (Kiss ET AL., 1999)”.
Apesar desta definição, ser bastante
acadêmica, vamos entender de uma forma mais simples, a aplicabilidade
dela. Qualquer indivíduo que queira se submeter à
atividade física, obrigatoriamente deve realizar um rigoroso
exame clínico geral e cardiológico,
com exames subsidiários e recursos necessários para
obter amplo diagnóstico de seu estado de saúde e detectar
possíveis doenças que poderão ser tratadas
como forma de prevenção de mal súbitos de saúde,
pois a idéia de condição atlética não
pode ser confundida com saúde ou ausência de doença.
O exame clínico geral, consiste em uma anamnese
onde identifica-se um histórico de antecedentes familiares
de cardiopatas e patologias habituais da família, um exame
ortopédico para identificar afecções do aparelho
locomotor, exames laboratoriais que devem fornecer perfil bioquímico
geral, hemograma, perfil lipídico, glicemia, dosagem de ferro
e ferritina, relação cortisol/testosterona, função
renal, enzimas hepáticas e algumas patologias infecciosas
freqüentes.
Passando por esta avaliação geral
inicial, é necessário pensar na fisiologia que é
apenas um dos fatores envolvidos no resultado de um bom desempenho,
somando-se a um nível de treinamento, motivação,
aspectos nutricionais e biomecânicos e habilidades motoras.
Estamos falando em duas vertentes. Medir, que é
associar um número a uma determinada característica
de um ser com regras preestabelecidas, e avaliar,
que é realizar um julgamento de valor sobre esta medida,
ou seja, interpretá-la em função do objetivo
que determinou a realização desta medida.
Os testes são importantes ferramentas para
tomada de decisões e alterações de programa
de treinamento durante uma temporada. Possibilitam medir o desempenho
de uma característica física específica ou
formar um perfil fisiológico para um grupo ou um indivíduo.
Testes e avaliações periódicas
durante a temporada, permitem uma atualização da evolução
física do atleta e devem ser realizadas numa periodização
preestabelecida pela comissão multidisciplinar.
Os testes devem ser selecionados considerando o sistema energético
da modalidade, movimento específico, estágio de treinamento,
idade e sexo. Ex.: Um maratonista predomina a resistência
aeróbia, um velocista ou saltador, potência muscular,
já no futebol, os três metabolismos energéticos
estão envolvidos na prática.
Estas especificidades acima descritas, devem ser
avaliadas na primeira consulta dom o médico do esporte. A
seguir, vamos colocar os testes que freqüentemente são
realizados na detecção de valores que possam contribuir
para um bom desempenho da atividade física e minimizando
os riscos de patologias fisiológicas assim como riscos cardíacos.
O teste ergométrico tem
a função de avaliar o estado funcional do sistema
cardiovascular, capacidade funcional do atleta nos esforços
físicos e sua evolução com a preparação
física, complementando o ECG (eletrocardiograma) de repouso.
É um grande aliado no diagnóstico de cardiopatias
silenciosas.
O ecocardiograma (ECO) é
indicado quando há suspeita de cardiopatia e nos atletas
iniciantes em avaliações de adaptação
funcional cardiológica ao treinamento físico.
Hoje se ouve falar que a corrida atrai muitos
adeptos por ser um dos esportes mais populares e simples de ser
praticado, afinal, só é preciso um tênis, um
calção e uma camiseta. Mas basta o indivíduo
tomar a decisão de iniciar a prática da corrida, para
perceber que existe um mundo muito mais amplo que cerca esta prática,
repleto de nomenclaturas e palavras que são habituais para
os atletas mais experientes, mas podem confundir a cabeça
dos iniciantes, e entre elas está o VO2 Máx.
O VO2 Máx. é a quantidade máxima
que o corpo consome de oxigênio durante a prática de
uma atividade física. Este limiar é obtido por um
exame conhecido como teste ergoespirométrico
e pode variar de acordo com a atividade física, ou seja,
se é um corredor, este teste deve ser realizado em uma esteira,
se é um ciclista, deve ser realizado num cicloergômetro
etc.
É importante deixar claro que, o limiar
não é um parâmetro de condicionamento físico.
Não é porque uma pessoa tem o consumo maior de oxigênio
que ela vai correr mais que outra. Às vezes, a pessoa possui
um VO2 Máx. mais alto porque tem dificuldade e se esforça
mais para fazer a atividade física, mas não quer dizer
que ela é mais rápida. O exame só se torna
realmente interessante quando um corredor o realiza de tempos em
tempos e compara sua própria evolução. Lembrem-se,
o importante é ser econômico.
Muitos adeptos da prática de atividade física
são resistentes na realização deste exames,
e sempre criam o famoso questionamento. Para que serve este teste?
Apesar de não ser um “medidor” de performance,
conhecer o VO2 Máx. é muito importante na hora de
um atleta iniciar sua preparação.
Com os parâmetros estabelecidos do VO2 Máx.,
o técnico conhece melhor o atleta e tem uma maior precisão
na hora de prescrever um programa de treinos. Além disso,
fica mais fácil para trabalhar dentro de um dos mais importantes
princípios do treinamento, o da individualidade.
A forma mais precisa para realizar o VO2 Máx.
é utilizar um analisador de gases, que o setor de medicina
esportiva do Instituto Cohen possue. O atleta corre alguns minutos
na esteira com uma máscara e o aparelho mede o consumo de
oxigênio e a produção de gás carbônico.
No Brasil, menos de 10% da população
realiza atividades físicas de forma adequada. Os exames são
importantes para que o técnico saiba adaptar a rotina de
exercícios às limitações do corpo do
atleta. Dependendo do resultado clínico, o individuo é
“julgado” impossibilitado de realizar a atividade pretendida.
Por exemplo, se for diagnosticado algum problema cardíaco
ou hipertensão, este individuo deverá fazer um tratamento
específico para o seu problema para depois ser liberado.
Lembre-se. Caso você pretenda iniciar uma
atividade física, dê o primeiro passo correto, procurando
um médico do esporte e clínicas especializadas que
possam lhe proporcionar a melhor forma de avaliar seus limites,
identificar possíveis riscos de doenças silenciosas
e suprir seu técnico de parâmetros para construir a
melhor de forma de treinamento e alcançar melhores resultados.

|